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March 1, 2015 - 00:25

Viagem de ônibus leva o dobro do tempo que carro em S. José

Ônibus na avenida José Longo, no centro de São José. Foto: Pedro Ivo Prates

Ônibus na avenida José Longo, no centro de São José. Foto: Pedro Ivo Prates

Estudo do Ipplan divulgado em janeiro mostra que os deslocamentos a pé pela cidade estão bem abaixo da média nacional; dados vão ajudar a promover alterações nas políticas de mobilidade urbana em S.

João Paulo Sardinha
São José dos Campos

Uma viagem de carro, em São José dos Campos, leva em média 22 minutos. Exatamente o dobro do tempo gasto por quem anda de ônibus pela cidade. O morador da região sul é o campeão de uso do automóvel: são 490 mil vezes por dia.
O mapa da mobilidade urbana no município, lançado pelo Ipplan no mês passado, apresenta à população um diagnóstico inédito sobre a cidade. As informações usadas no parágrafo acima, entre muitas outras, saíram desta ferramenta que ajuda a compreender o ‘trânsito nosso de cada dia’.
Esse raio X foi traçado entre os meses de abril e setembro de 2011. Os resultados da ‘Pesquisa Origem e Destino’, que tem validade de 10 anos, constatou o predomínio das viagens de automóvel na cidade (44%).
Em contrapartida, detectou os poucos deslocamentos a pé nas ruas do município (23%).
De acordo com a pesquisa, o crescente uso do carro guarda estreita relação com a disponibilidade de vagas para estacionar.

Facilidade. Os dados do estudo apontam que, em 75% das oportunidades, os usuários pararam o carro gratuitamente, seja na rua ou em estacionamento.
Esta constatação, no entanto, tende a cair com a ampliação da Zona Azul nas principais ruas de São José.
“Também é mais fácil usar o automóvel em São José, porque o trânsito não é tão caótico, como já acontece em São Paulo”, afirma a arquiteta e urbanista Lívia Rodrigues Tomás, analista de informações do Ipplan, responsável pelo ‘Atlas da Pesquisa Origem e Destino’. “Na zona oeste, onde a renda da população é maior, o uso do carro é alto”, afirmou.

Caminhada. Todos os dias, um total de 379.817 viagens a pé são feitas na cidade. Este é o terceiro principal modo de deslocamento, atrás do carro e do ônibus. A porcentagem de caminhadas (23,4%), porém, é inferior à média apresentada de municípios de porte semelhante ao de São José (40%).
Lívia explica ainda que andar a pé, em São José, não é algo tão simples. “Existem barreiras que impedem o maior número de caminhadas. A rodovia Presidente Dutra, por exemplo, é conhecida como uma ‘cicatriz urbana’. Ela impede o deslocamento a pé. O rio Paraíba é outra barreira”, disse a arquiteta, que comandou uma equipe de 50 pesquisadores em abril de 2011.

Carro. O secretário de Transportes de São José, Luiz Marcelo Silva Santos, afirma que o estudo serve para apontar novas opções para o transporte.
“Não dá para abandonar o carro. O que queremos é mostrar que existem opções. O automóvel não pode ser a única alternativa. É preciso usá-lo em deslocamentos mais longos. Rio de Janeiro e São Paulo estão se planejando agora. Mas eles estão tentando resolver o caos. Nós estamos tomando essas medidas para que não haja caos no futuro”, disse.


Bike dribla falta de ônibus na zona sul
São José dos Campos

Soa como um disparate, em uma cidade dominada por carros, a notícia de um bairro “infestado” de ciclistas. No Chácaras Reunidas, na zona sul de São José, a vida em duas rodas é algo comum para centenas de trabalhadores.
Apenas três linhas de ônibus servem o distrito industrial, na divisa com Jacareí. Então, quem prefere dar descanso ao automóvel, utiliza-se da bike para a labuta diária. As pedaladas, além de garantirem a saúde do bolso, proporcionam benefícios para o corpo.
O auxiliar de produção Sílvio César Moreira, de 44 anos, trabalha no bairro há dois anos. Desde o primeiro dia como contratado, sai do Parque Industrial, também na zona sul, para chegar ao Chácaras Reunidas. O uso da ciclofaixa já foi incorporado à sua rotina. Até mesmo em dias chuvosos. “Aí venho pedalando com o meu guarda-chuva”, disse.
A bicicleta, no entanto, não é utilizada apenas para chegar ao trabalho. “Vou buscar o meu filho todos os dias na escola também”, afirmou.
Mas, segundo o estudo do Ipplan, só 2,58% têm esse hábito. Maior parte ainda usa o carro (44,16%) ou ônibus (27,06%) para se locomover.
Este, por exemplo, é o caso da auxiliar de serviços gerais Sônia Rodolfo, de 49 anos. A moradora do São Judas Tadeu, na zona sudeste, usa ônibus para trabalhar no centro.
“O ruim é que o serviço é péssimo. Sempre lotado e com pouco horário aos sábados.”
“O corredor de ônibus pouco adiantou”, completou a auxiliar de limpeza Liliane Maria Molinari, de 38 anos.



Pesquisa serve para corrigir as distorções

São José dos Campos

O arquiteto e urbanista Flavio Mourão afirma que a pesquisa do Ipplan é fundamental para orientar o poder público na área de mobilidade urbana.
Segundo o especialista, o documento pode evitar que o governo tome decisões ‘no escuro’. “Esse diagnóstico é importante porque temos a noção exata dos deslocamentos feitos na cidade. A partir dele, pode-se elaborar um plano diretor mais adequado”, disse.
De acordo com Mourão, o material precisa ser um componente a mais, junto com outras pesquisas. “Mas já é um grande passo”, afirmou.

Complemento. Segundo o secretário de Transportes Luiz Marcelo Silva Santos, o Atlas tem sido útil para embasar as decisões do governo. “Mas não é o único. Esse documento não pode ser lido isoladamente”, disse o secretário.

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