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March 11, 2017 - 15:09

Vale tem 50% mais poluição no ar do que máximo recomendado

poluição carro qualidade do ar

Foto: Cláudio Vieira/OVale

Constatação foi feita por um instituto com base em dados coletados pela Cetesb; poluição provoca uma série de problemas de saúde

Xandu Alves
São José dos Campos

O inimigo está no ar. Moradores da Região Metropolitana do Vale do Paraíba aspiram 50% a mais de poluição no ar do que o limite máximo recomendado pela OMS (Organização Mundial de Saúde).

A constatação foi feita em estudo do Instituto Saúde e Sustentabilidade, de São Paulo, com base em dados fornecidos pela Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo). Foram coletados dados em estações instaladas em duas cidades da região: Jacareí e São José dos Campos.

Em ambas, segundo o Instituto Saúde e Sustentabilidade, o índice de poluição no ar está 50% acima do limite estabelecido pela OMS para que não haja danos à saúde. Materiais particulados suspensos no ar, como poeira, gases de combustíveis e ainda outras formas de poluição, são aspirados e podem causar problemas ao sistema respiratório, doenças cardiovasculares e cânceres.

O nível preconizado pela OMS é de 10 µg/m³ (microgramas de material particulado por metro cúbico), nível que é considerado limite para não afetar a saúde humana com a poluição do ar.

Segundo o estudo, que foi realizado com dados de 2011, São José registrou 15,27 µg/m³ e Jacareí, 15,33 µg/m³. A região ficou com média de 15,30 µg/m³. O índice pode piorar com a maior quantidade de veículos em circulação nas cidades e na Via Dutra, que impacta a qualidade do ar nos municípios.

Estudo. Foram analisadas 29 cidades do Estado de São Paulo. Todas elas registraram índices acima do estabelecido pela OMS. O ranking é liderado por Cubatão (39,79), Osasco (30,03) e Araçatuba (28,76).

Jacareí aparece na 26ª colocação e São José, na 27ª. Estão em melhor posição do que apenas duas cidades: Marília (13,96) e Presidente Prudente (13,39). O Instituto Saúde e Sustentabilidade pretende repetir o estudo usando dados mais atuais.

Para a médica Evangelina Vormittag, presidente do Instituto Saúde e Sustentabilidade, a região sofre principalmente com a poluição advinda dos veículos pesados e da Revap (Refinaria Henrique Lage), da Petrobras. “O trecho da Dutra que corta a região traz muito tráfego de veículos pesados, que usam diesel, e são grandes geradores de poluição, além da atividade na refinaria”.

Ambientalista vai ao MP cobrar mudanças

O ambientalista José Moraes, de São José, resolveu levar ao Ministério Público denúncia da escassez de programas, estudos e ações contra a poluição do ar na Região Metropolitana do Vale do Paraíba.

Para ele, os municípios da RMVale “não apresentam estudos de emissões de poluentes” recentes e que possam ser consultados pela população. Poucos sabem da gravidade que a inalação de material particulado, como, por exemplo, fumaça, poeira, fuligem, pode causa ao organismo.

“Há avanço da tuberculose na região e aumento de doenças cardíacas decorrentes de problemas com a poluição. Isso mostra a necessidade de o Ministério Público investigar como os municípios estão deixando de atuar nessa questão”, afirmou Moraes, que protocolou o pedido de uma ação civil pública no MP em São José, no final de fevereiro.

Na denúncia, o ambientalista cita estudo da Prefeitura de São José de 2010, que mostrava a emissão, naquele ano, de 23.118 toneladas de monóxido de carbono, sendo 9.811 toneladas de queimadas e 8.244 toneladas das rodovias.

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