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January 12, 2017 - 09:24

Estado transfere e isola rivais do PCC para evitar massacres

Presos Detentos Presídio

Foto: Claudio Vieira / OVALE

 Integrantes do Comando Vermelho e outras facções são retirados de unidades prisionais do Vale do Paraíba, área com ampla presença do Primeiro Comando da Capital, e transferidos para cadeias neutras

Redação
São José dos Campos

Em meio à sangrenta guerra travada dentro do sistema prisional, o Estado determinou a transferência de presos ligados ao CV (Comando Vermelho) que estavam aprisionados na RMVale, região com forte influência do PCC (Primeiro Comando da Capital), nascido em Taubaté.

A informação foi apurada por O VALE com fontes ligadas ao setor, incluindo parentes de presos e também agentes penitenciários.  O objetivo da medida foi o de evitar confrontos entre as organizações criminosas, como tem ocorrido em cadeias no Norte do país, com massacres em Manaus (AM) e Boa Vista (RR), com pelo menos 97 mortes desde o início do ano.

Além do homens do Comando Vermelho, integrantes de outras organizações teriam sido transferidos de cadeias do RMVale -- a relação incluiria a ADA (Amigo dos Amigos), que é do Rio de Janeiro, como o CV, e ainda o Cerol Fininho. Os presos foram transportados à Penitenciária 1 Presidente Venceslau, que é considerada livre da influência do PCC. Lá eles são mantidos isolados.

“Está havendo um isolamento dos integrantes das facções rivais ao PCC, estão sendo levados para Presidente Venceslau e outras cidades, como Guarulhos e Tupi Paulista”, declarou Jenis Andrade, o presidente da Aspesp (Associação dos Servidores Penitenciários do Estado de São Paulo).

No Vale, 7 das 12 presídios têm o domínio interno dos ‘irmãos’, apelido dado para membros da quadrilha paulista, nascida em 1993 no Anexo da Casa de Custódia de Taubaté. O maior foco de grupos ligados ao Rio era a área de Potim.

Bonde. A transferência começou em outubro de 2016, após a morte de 17 presos em rebelião na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, em Roraima, fruto de uma briga entre o PCC e o Comando Vermelho.

“A maioria foi removida daqui [Vale], mandada para presídios de outras cidades. Agora tem uma facção só aqui”, declarou Estevão Santos Silva, coordenador do Sifuspesp (Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional de São Paulo) no Vale do Paraíba. Além de sofrer com o déficit de agentes, o sistema prisional da RMVale tem 10.490 vagas e atualmente tem 16.321 presos, número 55,58% maior.

Tensão. Entre os presos o clima é tenso. “Estamos segurando as pontas, a qualquer hora a situação pode virar”, afirmou a esposa de um detento. Segundo ela, os massacres ocorridos no Norte tiveram reflexo aqui. “É uma panela de pressão”. 

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