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April 1, 2017 - 06:02

EDITORIAL: O velho jeitinho - 01/04

Momento político exige de nossos representantes bons exemplos

O nível de tolerância do brasileiro com as irregularidades da política atingiu níveis altíssimos nos últimos três anos. Ninguém mais parece tolerar a história do “todo mundo faz” ou do “sempre foi assim”.

Neste ano, em uma votação com apenas sete vereadores em plenário, a Câmara de São José aprovou um projeto na calada da noite. Após repercussão negativa da matéria de O VALE, o Legislativo foi obrigado a desfazer o processo. Na ocasião, houve quem argumentasse: “muitas votações acontecem com poucos vereadores em plenário, é comum”.

É preciso dar um basta em práticas erradas, mas que se tornaram corriqueiras. Chega de bater o cartão para o colega que foi embora mais cedo. Chega de usar verba indenizatória em benefício da família.

Matéria publicada nesta edição trata de um caso deste tipo. O vereador Maninho Cem por Cento (PTB) emprega em seu gabinete, na Câmara de São José, funcionário comissionado para trabalhar exclusivamente no balcão de anúncios do jornal Comunidade. No horário de trabalho, o oficial parlamentar vende espaços publicitários na publicação. Só volta para bater cartão no Legislativo.

O VALE procurou a especialista em direito administrativo Odete Medauar, professora titular da USP (Universidade de São Paulo), para saber se havia irregularidade na prática. A resposta foi clara.

“É enriquecimento ilícito, porque o funcionário está ganhando sem trabalhar [em serviços da Câmara]. É um verdadeiro caso de improbidade administrativa. Pode ser movida ação contra o servidor público e contra o vereador. É um verdadeiro absurdo. Embora digam que todo mundo faz, que sempre foi assim, isso precisa acabar. Esse é um dos tipos de improbidade. O Ministério Público precisa verificar ou alguém denunciar”, declarou.

No momento que o Brasil quer melhorar o nível da política, nossos ilustres representantes precisam começar a dar o exemplo.
 

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