São José dos Campos
20º / 26º
No decorrer do dia o dia terá com variação de nebulosidade na região.
BRASIL &
February 23, 2014 - 21:37

Empresários da construção civil temem corte de empregos com a retração do mercado

Operário trabalha na construção de prédio na zona oeste de  São José_Foto: Flavio Pereira

Operário trabalha na construção de prédio na zona oeste de São José_Foto: Flavio Pereira

Segundo eles, recuo nas vendas e nos lançamentos novos deve provocar um corte de vagas no setor da construção, que gera hoje cerca de 20 mil empregos; grupo defende adoção de política para desenvolvimento de São José

Chico Pereira
São José dos Campos

Empresários da construção civil de São José dos Campos afirmam que se avizinha uma crise de emprego no setor, com o recuo nas vendas e de lançamentos de novos empreendimentos imobiliários, principalmente para as classes A e B da cidade.
Um dos maiores geradores de postos de trabalho no município, com cerca de 20 mil empregos diretos e indiretos, a construção civil pressiona o prefeito Carlinhos Almeida (PT) para apressar a elaboração de uma nova Lei de Zoneamento, com regras mais flexíveis que a norma em vigor, apontada pelo segmento como uma das responsáveis pela "quase estagnação" de aprovação de novos empreendimentos imobiliários.
Presidente da Aconvap (Associação das Construtoras do Vale do Paraíba), que reúne 120 empresas, Paulo Cunha, afirma que as demissões devem acontecer quando os empreendimentos em construção atualmente forem entregues e não houver novos lançamentos para repor o estoque.
"Em 2014 já deveremos ter um impacto social com as demissões, pois mais da metade dos 90 empreendimentos em construção serão entregues ainda neste ano. Por isso, a entidade alerta para o risco de demissão em massa no final deste ano", disse o executivo.
O empresário José Antonio Marcondes César, relatou que o desemprego vai atingir toda a cadeia da construção civil.
Segundo ele, pelo menos 700 médias e microempresas são fornecedoras das construtoras que atuam e em São José.
"São carpintarias, serralherias, fábricas de blocos, prestadores de serviços diversos", afirmou o empresário.

Pesquisa.

A última pesquisa da Aconvap, divulgada esta semana, sobre o mercado imobiliário de São José aponta que o estoque de unidades residenciais diminuiu quase 20% no segundo semestre do ano passado em relação ao primeiro.
O estoque de unidades caiu de 3.500 para 2.802 unidades.
"Nesta última edição, a pesquisa alertou para a gravidade da situação que podemos ter na cidade até o final deste ano", afirmou Paulo Cunha.

Reversão.

Na avaliação do presidente da Aconvap, é preciso que exista uma macro política de desenvolvimento que envolva toda a cidade em busca de novos empreendimentos, indústrias e investimentos.
"Quanto à legislação, não há tempo para esperar a elaboração de uma nova Lei de Zoneamento. Alguns entraves podem ser eliminados imediatamente para que novos empreendimentos sejam lançados em curto prazo", pontuou o empresário.

Caged.

Por enquanto, a geração de empregos na construção civil é positiva , segundo o Caged. O saldo é de 318 postos de trabalho.


Cenário já preocupa sindicato
A possibilidade de ocorrer demissões em escala na construção civil preocupa o Sindicato dos Trabalhadores da Construção.
"É uma situação preocupante porque já começamos a enfren tar dificuldades", afirmou o presidente do sindicato, Marcelo Rodolfo da Costa.
Segundo o dirigente, construtoras que não integram a Aconvap já sinalizam que poderá haver demissões por falta de novos empreendimentos.
"Se a situação não mudar, tememos que no segundo semestre possa haver demissões em massa", relatou o presidente do Sintricon.
Dalton Ferracioli, secretário de Obras de São José, informou ao empresariado, na solenidade que a Aconvap promoveu para divulgar a pesquisa do mercado imobiliário, que o governo Carlinhos Almeida (PT) trabalha para agilizar a aprovação de empreendimentos e de uma nova Lei de Zoneamento ainda este ano.


Profissionais criam grupo para debate
Arquitetos, engenheiros e representantes de associações de moradores criaram o grupo "Defenda São José", com o objetivo de contrapor aos argumentos dos empresários da construção civil de flexibilização geral da Lei de Zoneamento. O grupo defende que a nova norma seja para a toda a cidade "e não para atender apenas um setor".


Prefeitura prepara nova norma
O prefeito Carlinhos Almeida (PT) iniciou processo de elaboração de uma nova lei de zoneamento para a cidade. Ele considera ser necessário flexibilizar as regras atuais para atrair mais investimento e alavancar o desenvolvimento de São José. Entidades de classe estão sendo consultadas, como a população, por meio de audiências públicas.


SAIBA MAIS

Crise
Construção civil de São José aponta para a possibilidade de demissão em massa no setor, por causa do recuo de novos lançamentos imobiliários

Norma
O empresariado aponta que um dos fatores responsáveis é a atual Lei de Zoneamento que, na opinião do setor, é muito rígida

Empregos
Segundo a Associação das Construtoras, o segmento gera 20 mil postos de trabalho diretos e indiretos

Cadeia
Para os empresários, a "quase estagnação" da construção civil afeta não só as construtoras, mas toda uma cadeia de fornecedores

 

Publicidade
Publicidade
clique para saber mais